Esta feita , foi mesmo com dois "colegas" de empresa, aqui trabalham motoristas de várias nacionalidades, um delas é dos lados este da Europa, nada contra, cada um ao seu, excepto na maneira de ser, sozinhos são uns santos, juntam-se dois já são uns heróis (salvo raras excepções)
O caso, num armazém para fazer descarga, entra-se por vez, cada um tem um cais designado, não é preciso pressas porque a partir do momento em que entramos ali dentro estamos condicionados á velocidade de trabalho deles, a nós só nos resta esperar que não reduzam muito...
Bem, quando os "meninos" chegaram já lá estávamos alguns, eu por exemplo, já encostado ao cais, vejo que eles chegam os dois muito atarefados, quase me deu a ideia de que fossem bombeiros ou algo assim, entretanto fazem o registro e entra um motorista de Málaga, senhor para uns 55/60 anos, calmo, nota-se a experiência, tranquilo até porque como eu já sabe o que a casa gasta por ali, faz a manobra, parando a meio, antes de recuar, para abrir as portas do reboque, eles os dois, entram e colocam-se atravessados, abrem as portas e os dois ao mesmo tempo tentam fazer a manobra, ora se só para um é pouco espaço , para dois a coisa só complica, ainda reclamam com o malagenho, fazendo com que o homem na sua tranquilidade avança e os deixa fazerem o que querem, que nem dois miúdos idiotas!
Eles vitoriosos reparam então na minha camenete, as cores iguais , as letras iguais, mas só, nada mais a partir daí é igual, acercam-se a olhar como que a pedir confirmação do que fizeram, lamento...
Lamento mas tenho que condenar, não gostaria que o fizessem a mim, portanto condeno-os por o fazerem a outro!
Um deles já me conhece, sabe que já tenho tempo de casa, sabe que já tenho peso em uma que outra questão, sabe também que basta um telefonema para ele ser despedido, merecia, afinal é a imagem da empresa que está em questão, e neste ramo pagam justos por pecadores!!
Ignorei-os, juntei-me com o malagenho, fomos tomar café, falamos sobre o que aconteceu, desculpo-me, ele diz que na empresa onde está passasse o mesmo, aprendeu a ignorar, entretanto os dois idiotas riem-se depois de desligarem o telefone, alguém me liga...
O chefe deles pergunta-me o porquê de não falar com eles, respondo conforme me apetece, digo-lhe que para mim valem menos que um cão abandonado, não lhe conto o que se passou, apesar de merecerem ser recambiados para o país deles não o faço.
Digo simplesmente que hoje estou com os azeites entornados!
Além do mais, ele não é meu chefe!!!!
Desligo e fico a pensar: na verdade aqueles cabrões ligaram para o chefe deles a queixarem-se por serem ignorados?!? Ou por não estar de acordo com a merda que fizeram?!?
Eles levam apenas meses de casa, não tarda recomeça o ciclo vicioso da parte deles aqui na empresa, nenhum deles resiste a mais que uns 6 meses, o que querem é ter algum dinheiro para poderem entrar para a cooperativa constituída por eles (eles, naturais lá de onde eles são), são capazes de abandonar a camenete num canto qualquer e virem com outro á boleia só porque do banco tiveram a informação do saldo, já têm dinheiro para comprar a quota, vão ganhar menos, mas segundo eles é algo que é deles!! (até um dia, um desaparecer com as notas)
Percebo em parte o porquê dos espanhois olharem de lado e cada vez mais estarem contra os imigrantes que cá aparecem...
Com situações destas até eu, imigrante cá, os desprezo!!
Esta foto, vem de lá, do país deles, um dos que cá esteve durante um ano e algo, ganhou dinheiro para pagar os estudos á mulher, fazer a casa e juntar algum, para o futuro dizia ele, voltou para lá, é arquitecto, trocamos e-mails em inglês, enviou-me umas fotos há tempos, hoje lembrei e fui rever!!Esta é a miséria que lá se vive(junto com outras riquezas mais ou menos escondidas), mas nem todos querem evoluir, nem como pessoas, diz que algo foi manipulado pois a maior parte das pessoas com quem fala não queriam aderir há União...
Contactamos hoje, contei o que se passou, só me disse, conta ao teu chefe o que se passou, apenas lhe disse que não tenho o direito de o fazer...
Mas bem que me apetecia...


